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As ‘tecnologias suicidas’: O que são e como impactam nossa vida

Escrito por RafaelMcd

Hoje estive estudando um conceito curioso: as “tecnologias suicidas”. A coisa vem de pensar, por exemplo, em casos como o da Sony, trabalhando no desenvolvimento de um produto como o gravador de CDs, enquanto era possuidora de uma das gravadoras mais grandes e bem-sucedidas do mundo.
Ou, sem ir tão longe, o rosto sorridente do dono de um estúdio de fotografias, enquanto  me vendia uma câmera digital, o que significava que, possivelmente, nunca mais voltarei à loja para pagar por uma revelação. As revelações representam em torno de 70-80% da renda de uma loja de fotografia tradicional, mas para a minha filha de oito anos, as fotos simplesmente não se revelam… É algo que de forma natural é feito, pode ser visto imediatamente, e, finalmente, é exibido em tela ou impresso. Que tipo de coisas passa pela cabeça de quem, conhecendo o seu negócio, toma esse tipo de decisões? Por acaso são estúpidos que não se dão conta dos potenciais efeitos nocivos dessas terríveis tecnologias?
A resposta pode ter o seu truque. De entrada, não é o mesmo uma empresa como é a Sony que, no caso a loja da esquina. Na Sony, a pressão por resultados de cada uma de suas divisões, que projetam e fabricam artigos extremamente diferentes, provoca uma situação de concorrência e de falta de alinhamento estratégico: o diretor da divisão de informática de consumo, por exemplo, encontra-se com a possibilidade de trazer ao mercado um produto revolucionário, que fornece algo tão impensável, então, como um arquivo de 650 TB, que pode ser transportado no bolso, e representa para ele um produto “blockbuster”, uma estrela que tem que cuidar, porque pode ter um enorme impacto na conta de resultados. A divisão de música, muito possivelmente, nem participa da decisão.
Mas vejamos o caso da loja de fotografia: aqui não se trata de estratégias de nenhum tipo, mas de vender um artigo com uma boa margem que, se não o vendo a venderá a minha concorrência. Portanto, trata-se de um tema de oportunidade de aproveitar um nicho de mercado que aparecer, mesmo que, no futuro, possa significar uma mudança tão forte em meu negócio que me deixe de fora. Poderia ser que na Sony exista um condicionante semelhante? Algo assim como “se eu não comercializo o gravador de CDs, alguém virá e fará por mim, com o qual o efeito pernicioso acaba sendo o mesmo”? Pode ser…
Moral: a tecnologia não pode ser ignorada. Podemos jogar a não apostar por ela uma temporada, mas isso pode gerar a perda de vantagens pioneiras que poderiam ter resultado espetaculares de ter sido aplicadas bem, mas não podemos simplesmente as esquecer. Se esquecermos a tecnologia, simplesmente estaremos perdendo a oportunidade de beneficiar-nos com ela como adiantados, e à espera que alguém nos passe à frente com ela. Não nos canibalizaremos, de acordo, mas, em troca, estaremos abrindo a porta para alguém que virá e nos forçará  a uma mordida.

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RafaelMcd

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