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O que há em torno da decisão de uma empresa de implantar um ERP, CRM ou algum outro tipo de inovação tecnológica?

Escrito por RafaelMcd

Se diz que em torno da empresa se forma um triângulo mágico, em cujos vértices podemos situar o fornecedor do software, programa ou solução em questão, o fabricante do hardware necessário para abrigá-lo, e, como não, o denominado “inclusivo”, tipicamente uma empresa de consultoria, gerente, por assim dizer, de “fazer estratégia”, de “colocar todas as peças juntas para que isso funcione”. O equilíbrio entre essas três peças, é, quando menos, delicado, e tem sido objeto de inúmeros estudos e experiências por parte dos diferentes atores.
Houve tentativas de reduzir a dependência do integrador, de condicionar o hardware ou o software com diversos critérios supostamente independentes, ou de lidar com o grau necessário de adaptação ou “customização”. No entanto, a julgar pelos resultados, este triângulo, como a maioria dos triângulos, continua a não funcionar muito bem. De entrada, fala-se, de acordo com as fontes, de valores entre 65% e 80% de erros neste tipo de projetos. Bugs relacionados, claro, porque, na verdade, chamamos de falhas, a todo aquele projeto que não atinge as funcionalidades previstas, ou excede o custo ou o tempo de desenvolvimento em mais de 30%.
Impressionante, sim, embora eu gostasse de ver a cara que resta a muitos daqueles que dizem que seu projeto foi uma falha se simplesmente o removêssemos ao cabo de dois meses funcionando.
Mas, em qualquer caso… o que é que está acontecendo? Como encontrar um responsável para esses enormes percentagens de falhas nos projetos? A tarefa, a ponhamos do modo que for, nos leva sempre ao mesmo resultado. Sejamos realistas: o hardware e o software, hoje em dia, falham  bem pouco. Por eliminação, as culpas nos vão para os consultores. Se sentem responsáveis por cerca de 70% do custo dos projetos, e, longe de acabar daí a coisa, pela maioria dos bugs.
E, digo eu… se isso é realmente assim, não devemos aprovar uma lei para esterilizar a todos os consultores vivos, para evitar que continuem contribuindo para o pool genético? É realmente a consultoria tão culpada como a pintam? A resposta é tão simples como o é o autor desta coluna: depende. Como em todos os negócios, é importante ter em conta que em consultoria, há consultores bons, regulares e ruins. Um consultor bem, é bom para a empresa e envolve-se plenamente no projeto. Faz e promove investigação rigorosa sobre os assuntos em que trabalha. Fornece um conselho não enviesado sobre hardware e software. E traz uma experiência muito valiosa para que, evitando os erros cometidos em outras empresas, o projeto se desenvolva às mil maravilhas, cumpra a função que lhe foi atribuída, decorrido os prazos e custos inicialmente previstos.
O consultor mau se guia por acordos comerciais com fornecedores de hardware e software, cujo valor tenta maximizar, ou por investigação não rigorosa de fontes arbitrárias. Acredita ter a solução para o seu problema… em geral, muito antes de que lhe conte o seu problema. Ou, pior ainda, acredita ter a solução para TODOS os problemas. Simplesmente, tem um martelo, e, portanto, tudo lhe parecem pregos. Em seu próximo projeto, analise bem seus consultores. Não ofereça suporte a visões e interpretações maximalistas de parceiros prepotentes: quem realmente conhece o seu negócio e a sua empresa é você, não eles. Procure um foco claro nos “fatores alvo”, no envolvimento dos recursos humanos em sua empresa, porque a pesquisa afirma que a maioria dos bugs vêm de lá.
Mas, acima de tudo, pense na sua primeira afirmação desta coluna, a do triângulo. Por quê? Porque é simplesmente falsa. Não se trata de um triângulo, mas de um quadrado. A quarta perna é a sua companhia, como diria Groucho Marx, a parte contratante da primeira parte. E o encarregado de “fazer estratégia” e de “colocar todas as peças juntas para que isso funcione” não deve ser o consultor, mas a empresa. Pesquise, leia… tente ler até mais do que o seu consultor. Reclame, pergunte e faça o necessário. Verifique todas as peças do seu projeto, e verá como este acabará sendo executado de forma muito melhor.

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RafaelMcd

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