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Para entender a importância do 5G e o que está em jogo com sua implantação

Escrito por RafaelMcd

A implantação da quinta geração de tecnologias de telefonia móvel, conhecido como 5G, está tendo muito mais destaque pelas interpretações que alguns países estão fazendo sobre as consequências de sua próxima implantação que o que realmente envolve como desenvolvimento tecnológico. Até agora, estamos lendo mais sobre o que 5G pode significar, como demonstração de liderança mundial em função de que o país consiga instala-la primeiro, ou como medo perante o possível controle estrangeiro de infra-estruturas estratégicas, ou simplesmente como fonte de financiamento para os governos através de leilões de licenças, sobre o que a tecnologia como tal a gente pode chegar a nos dar.
Para o usuário médio, 5G é, em muitos casos, simplesmente “o que vem depois desse 4G que veio depois do 3G”, tende-se a ver traduzido simplesmente como “mais velocidade”, e é visto como algo simplesmente incremental, que não gera muito interesse para além de que é melhor tê-lo do que não tê-lo. Na prática, a implantação do 3G, apesar de ser exibido primeiro no Japão, foi o que permitiu, após a sua implantação, nos Estados Unidos, em 2002, a chegada do iPhone e as lojas de apps em 2007, do mesmo modo que a implantação do 4G possibilitou que surgissem, também no mercado norte-americano, aplicativos como o Instagram ou Uber, permitindo que essas apps alcançassem suficiente massa crítica antes de lançar-se e transformar-se em líderes no resto do mundo. Na prática, ser o primeiro a implantar a tecnologia pode ser importante se com isso conseguir capitalizar os investimentos em infra-estrutura e possibilitar que sejam principalmente empresas do próprio país, que recolham os benefícios, ou se, graças a isso começar a gerar um ecossistema que alimente empreendedores e empresas de todo o tipo para lançar produtos que possam comercializar, posteriormente, no resto do mundo, com uma liderança obtida graças à experiência doméstica.
Mas, o que é que realmente traz o 5G? Não se trata simplesmente de maior velocidade e menor latência, mas de entender as consequências dessas duas variáveis conduzidas até o ponto em que esta tecnologia permite levá-los. Mais velocidade – até cem vezes mais, apesar de possivelmente se reduza algo após a sua implantação em massa – ou que a latência diminua até tornar-se quase imperceptível, é, na verdade, o que vai permitir o desenvolvimento de aplicações que vão desde ambientes tridimensionais holográficos ou o vídeo enriquecido, ao desenvolvimento da internet das coisas, como a medicina preventiva, as cidades inteligentes ou os veículos autônomos, e isso sem considerar as possíveis aplicações adicionais que possam surgir sobre uma plataforma como essa. De fato, é impressionante que estejamos falando tão pouco de uma tecnologia destinada a mudar o mundo de uma forma tão radical e tangível.
O que há, portanto, que os países competem pelo domínio e a implantação de 5G? Que algumas empresas de telecomunicações norte-americanas como Verizon ou AT&T estão anunciando já implementações de 5G em algumas cidades ou associados a produtos como a TV não esconde a grande realidade, é que desde o ano de 2015, a China investiu mais de 24 bilhões de dólares que os Estados Unidos em infra-estrutura e desenvolvimento do 5G, e que hoje conta com cerca de 350.000 pontos frente aos cerca de 30.000 que foram construídos nos Estados Unidos e a empresa com mais patentes neste domínio é da china, e algumas das decisões recentes da administração Trump estão destinadas a tentar desesperadamente manter a propriedade norte-americana de algumas das empresas consideradas estratégicas. O que pode ocorrer se a China liderar a implantação de 5G? Pois, simplesmente, que muitas das empresas do país, que contam com um importante ecossistema empresarial próprio gerado, em parte, graças às restrições impostas aos concorrentes estrangeiros, tenham a possibilidade de desenvolver produtos e ganhar experiência em ambientes 5G, e que, mais tarde, à medida que esses implementações forem realizadas em outras partes do mundo, possam aproveitar sua maior experiência para se lançar em si de maneira vantajosa. Ainda não existem praticamente terminais preparados para 5G e não sabemos qual vai ser o seu preço, quando chegarem, não importa: o verdadeiramente importante é poder conceituar e projetar os serviços que vão poder entrar quando começar a sua comercialização.
Embora o Japão tenha liderado inicialmente a implantação de 3G, na prática, foi relativamente pouco: os empresários japoneses não foram então capazes de capitalizar essa vantagem inicial, como souberam fazê-lo várias empresas norte-americanas. Mas tudo indica que, desta vez, o caso é da China, a história poderia ser diferente, como podemos ver com, por exemplo, a WeChat, que atualmente oferece, além de mensagens, serviços que vão desde os pagamentos móveis até a banca online ou o transporte, ganhando experiência em ambientes completamente sensorizados, e oferecendo esses serviços, à medida que outros países vão levando a cabo a sua implantação. Um plus de experiência que pode chegar a definir quem lidera o panorama tecnológico durante a próxima década e que pode permitir que, dado o ecossistema empreendedor que, sem dúvida, existe no gigante asiático, se gerem produtos e serviços destinados possivelmente à liderança de suas categorias no resto do mundo. Isso é, na verdade, o que está em jogo com 5G. E não, não é pouco.

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RafaelMcd

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